Gestão de pessoas ou gestão para pessoas?

gestao de pessoas ou gestao para pessoas

 

Momento de reflexão

Se pegarmos a história da gestão de pessoas, vamos ver que houve uma evolução muito grande, pois antigamente a estrutura era de departamento pessoal onde imperavam processos altamente burocráticos. Com o passar do tempo os processos internos já eram voltados para o comportamento humano, finalmente chegando na gestão estratégica dos dias de hoje tendo o colaborador que entrar em harmonia com a estratégia corporativa em que ele está inserido.

Mau entendimento do termo

O fato é que mesmo com processos burocráticos, a gestão de pessoas sempre passou e sempre passará por pessoas, pois não há como pensar em tal sem envolvê-las. O problema é que tudo isso que estou falando soa como óbvio, porém não é isso que vemos na prática. Eu me deparo com empresas que na teoria até o setor existe, alguns chamam de DP outros de RH, mas na prática não é isso o que ocorre. O que vemos são empresas perdidas em seus processos, sem saber para onde levar seus colaboradores. O resultado disso é um turnover grande ao longo do tempo, pois as pessoas começam a perder a esperança de que um dia serão mais reconhecidos e conquistar mais espaço dentro das empresas que trabalham.

Inversão de valores

Toda empresa tem funcionários para gerar resultados, isto é fato, porém a inversão acontece quando pessoas são contratadas sem estar preparadas para trazer tais resultados. Isto acontece quando não há treinamento padronizado com pessoas capacitadas para passar em frente o que sabem em prol daquele novato. O que há são pessoas “jogadas aos leões” sem saber o que vão fazer de verdade e o resultado é insatisfação da empresa, do colaborador e o pior de tudo, do cliente que sofre as consequências de tanta incompetência vindo de todos os lados.

A solução

A gestão de uma empresa precisa ser voltada para as pessoas e não de pessoas. Pessoas são o foco principal de tudo, tanto faz se é interno ou externo. Porém, o caminho correto é de dentro para fora e não o contrário. E como trilhar este caminho? Aqui vão alguns passos que serão mais detalhados nos próximos artigos.

  1. Objetivos em comum. Você já viu um relacionamento dar certo quando os objetivos são diferentes? Toda empresa precisa saber para onde vai e como vai levar as pessoas que estão inseridas nela. Por outro lado, estas pessoas querem ir junto ou só querem passar um tempo?

 

  1. Metas bem definidas. Você provavelmente conhece o estado atual de sua empresa (ou não). Se você conhece, qual o estado desejado para a mesma? Você sabe onde quer chegar e quem está inserido neste contexto para ir junto com você e sua empresa?

 

  1. Processos bem articulados. Além das metas bem definidas, como os processos acontecem na sua empresa? De maneira sistemática, com cada um sabendo o que fazer ou é na maneira do salve-se quem puder e vamos apagar incêndio?

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  1. Treinamentos contínuos. Treinar nunca é demais, porém para um treinamento dar certo é necessário dois fatores fundamentais: pessoas capacitadas para treinar e treinamentos bem definidos.

 

  1. Transparência nas relações. Processos bem definidos sem colocar ação nos mesmos não adianta nada. Se no seu manual de normas e procedimentos diz que o funcionário precisa chegar pelo menos com quinze minutos de antecedência antes do expediente começar então não há o que discutir. Se há alguma pessoa que não pode chegar no horário marcado, converse com a mesma para encontrar a melhor solução. Lembre-se que este item está diretamente ligado ao item número 1.

 

  1. Comunicação clara e simples. Comunicação é sempre um problema dentro das empresas e na maioria das vezes a falta dela acontece por falta de maturidade principalmente das lideranças. A cultura do argumento sólido precisa existir em todas as empresas sem deixar brecha para as fofocas.

 

Como você pode perceber, a gestão de uma empresa precisa ser voltada para pessoas e não de pessoas. Levando em conta todos estes itens acima relacionados os resultados aparecerão de maneira mais consistente e positiva e o cliente que está do lado do externo da empresa ficará mais satisfeito. Pense nisso!

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A empresa perfeita (para mim)

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Todo gestor tem o sonho de ter a empresa perfeita, aquela empresa onde todos os processos rodam com eficácia, que as vendas estejam sempre em alta, que os clientes paguem sempre em dias e principalmente que a equipe esteja sempre motivada a dar seu melhor. Tudo isso pode parecer utópico para alguns, porém eu afirmo que tudo isso é possível apesar de não acontecerem ao mesmo tempo. Ao longo de vários anos viajando para diversos lugares ao redor do Brasil tenho conhecido muitas empresas que estão à frente em relação a outras se tratando dos itens que descrevi justamente por entender que a grande causa de tudo funcionar bem se chama pessoas.

Empresa que não tem processos, normas, missão e valores bem definidos não consegue ir muito longe, pois todos estes pontos se resumem em apenas uma palavra: organização, porém isto só é possível se houver pessoas capacitadas e motivadas. É impressionante como há gestores que acreditam que é necessário tratar seus funcionários no chicote para poder mostrar liderança. Há também aqueles que desacreditam em sua equipe, que acham que pessoas são desonestas e que não merecem credibilidade. Há ainda os que acreditam ser uma grande bobagem investir em pessoas, pois um dia elas irão embora e abrirão concorrência. Agora, sabe o que todos estes gestores têm em comum? Falta de empreendedorismo. Todos eles se sentem frustrados, mas não com eles mesmos é claro, eles se sentem frustrados com o outro, pois o outro é o grande culpado de suas empresas não estarem indo bem das pernas.

Então o que se deve fazer para ter a empresa perfeita, já que estou enfatizando que é possível? Abaixo algumas dicas que considero preciosas para ter a empresa dos sonhos:

1. O primeiro contato. O início dos problemas de uma empresa pode estar na contratação. Você sabe entrevistar? O que você costuma perguntar ao candidato? Lembre-se, perguntas óbvias do tipo “fale de seus defeitos e virtudes” levará o candidato a se colocar no céu com tanta virtude mesmo tendo dezenas de defeitos, ou você acha que ele vai falar mal dele mesmo? Neste momento é muito importante fazer perguntas que levem o candidato a refletir sobre seu papel dentro da empresa e o que ele pode agregar sendo contratado. Além disso, o candidato também precisa ter segurança de que irá entrar em uma empresa que lhe oferecerá muito mais do que dinheiro. Portanto, se você perceber que não sabe entrevistar, contrate ou terceirize um profissional de RH, pois ele tem esta experiência de lidar com entrevistas;

2. Treinamento. É muito comum após a contratação o funcionário ser treinado para a função que irá exercer. Quem treina na empresa, você ou seus funcionários mais antigos? Você ou a pessoa delegada tem capacidade para passar conhecimento? Existe na empresa uma metodologia para treinamento? Perceba, a eficácia de uma empresa depende também de padronização, se você possuir fluxograma para cada processo qualquer pessoa bem treinada terá capacidade de executar o que for demandado.

 

3. Recompensa e motivação. Sabe-se que ninguém motiva ninguém, há donos de empresas que acham que dando um aumento de salário ou bonificando por alguma razão vão levar seus funcionários ao ápice da motivação. As pessoas precisam ter instaladas em seus corações a importância de seus papéis dentro das empresas, que elas são importantes e por isso foram contratadas. Crie programas de incentivos que levem seus funcionários a ganhar viagens, por exemplo. Dê aos seus funcionários a oportunidade de trazer ideias diferentes, discuta em grupo e assim premie as melhores ideias e resultados. Você verá como o nível de satisfação dos mesmos irá aumentar.

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4. Relacionamento. Como você se relaciona com seus funcionários? Manda quem pode e obedece quem tem juízo? Se for assim, você deve ter uma rotatividade muito grande de pessoas dentro da sua empresa. Alguns gestores acham que não devem se aproximar muito de seus funcionários para que os mesmos não pensem que já existe uma relação de amizade entre as partes. Então eu pergunto se é melhor, portanto ter uma relação de inimizade? Ser amigo de seus funcionários não significa que eles frequentarão sua residência todos os fins de semana, que irão se meter na sua vida ou que pedirão favores todo o tempo. Ser amigo de seus funcionários significa ouvi-los quando necessário, apoiá-los quando eles estiverem se sentindo desprotegidos, mostrar a eles que lá na empresa existe um líder e que podem contar com você sempre que precisarem.

5. Ambiente de trabalho. Recentemente estive em uma empresa onde o ambiente era constituído por um gestor que tira brincadeiras, até pesadas, com seus subordinados principalmente na frente dos clientes. Sabe como os funcionários reagiam? Chegando atrasados, faltando, não se comprometendo com os objetivos da empresa. Tudo isso traduzia o descontentamento deles com as atitudes do gestor. O ambiente de trabalho precisa ser o melhor possível, sem fofocas, sem desmerecer o outro, sem preferências. Lembre-se que você e seus funcionários passam a maior parte do tempo na empresa, então o clima precisa ser leve e prazeroso.

Você deve estar se perguntando, onde entram as vendas e os clientes citados no inicio deste artigo? Pois bem, não dá para olhar para fora sem antes cuidar do interno de uma empresa. Ao estabelecer organização interna ficará muito mais tranquilo trabalhar o externo, pois as pessoas envolvidas estarão dispostas e capacitadas a fazer a diferença. Pense nisso!

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Meu gerente, meu líder!?

gerente lider

É muito comum as empresas terem gerentes em seus organogramas, são pessoas que são colocadas na função a fim de gerir processos e liderar pessoas. Porém, é muito mais comum as empresas terem gerentes que não tem o mínimo de perfil para assumir esta função. Estão lá por uma questão de preferência do gestor, mas sem critério algum de competência. Geralmente os gerentes têm as seguintes falhas:

1) Não conhecem a realidade do mercado que trabalham com maior profundidade (as demandas, características, tendências);

2) Em geral não conhecem o perfil dos seus clientes (suas necessidades, expectativas e dificuldades);

3) muitas vezes não sabem tomar decisões diante de situações complexas (não querem se queimar com os colegas, não tem autonomia, preferem que seus superiores assumam as consequências);

4) São tarefeiros, agem de forma rotineira, conduzindo situações de maneira automática;

5) Não sabem lidar eficazmente com pessoas (não lidam bem com as emoções, não sabem liderar, nem tampouco conduzir uma boa reunião com a participação intensa de todos).

Se você reparar, 3 dos 5 itens listados acima tem a ver diretamente com pessoas. O gerente tem que ser um expert em lidar com pessoas em todos os seus âmbitos. O ambiente organizacional precisa ter harmonia que precisa ser gerida e nutrida através de seus líderes e para que isso aconteça faz-se necessário perceber se o gerente tem as seguintes características:

a) Percepção de si e do outro. Relacionar-se com o outro de maneira eficaz requer saber como eu percebo seu comportamento e sua experiência, porém temos um limite de percepção, uma linha imaginária que esbarramos devido a complexidade de tal percepção. Para conseguir entender o outro é preciso buscar continuamente uma consciência sobre mim, procurar entender quais crenças e valores me norteiam para que eu possa perceber melhor o outro. Gerentes que possuem este controle de percepção tendem a se relacionar melhor com seus subordinados;

b) Tomadas de atitudes. Quando a pessoa passa a se perceber primeiramente e depois perceber o outro torna-se mais tranquilo tomar atitudes, pois há um entendimento mais claro de como o outro funciona, daí inicia-se o processo de empatia que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Gerentes não podem olhar somente para o lado da empresa quando em uma tomada de decisão. É preciso utilizar de equilíbrio, ponderar os dois lados, da empresa e do funcionário;

c) Crenças e valores. A maneira como enxergamos o mundo forma nossas crenças e valores, são nossos modelos mentais. Se moldarmos nosso mundo pautado em integridade e honestidade, por exemplo, suas escolhas e atitudes serão norteadas por tais crenças e valores. As empresas precisam ter seus valores muito bem definidos não apenas no papel, mas também nas suas ações. Líderes indiferentemente devem ser pessoas que externem suas crenças e valores de maneira clara e objetiva, além disso que sejam em comum com cada empresa;

d) Interação da equipe. Toda empresa almeja uma equipe unida em prol de um único objetivo, o de trazer resultados positivos. Porém, somente colocar pessoas trabalhando juntas não garante bom desempenho. É necessário que o gerente saiba reconhecer a individualidade de cada pessoa do grupo, o nível de envolvimento e comprometimento de todos e dai saiba também agir de maneira eficaz;

e) Respeito e valorização das diferenças. Para conviver bem em sociedade é fundamental saber lidar com os opostos, pois trata-se de pessoas e não há pessoas iguais. O grande desafio é encarar a desigualdade como uma oportunidade de crescimento e não como desordem. A cultura ocidental nos impõe a fazer sempre as mesmas coisas e o diferente é visto como algo negativo. Se o gerente tiver um olhar clínico para as diferenças de cada um terá a oportunidade de ter uma equipe riquíssima e poder aproveitar a experiência de cada um;

f) Disposição às mudanças. Parece um pouco óbvio falar de mudanças, porém ainda há centenas ou até mesmo milhares de empresas e empresários neste país que temem mudanças. Vivemos em ambientes dinâmicos que nos levam a refletir nossas posturas diante do mundo. Os gerentes das empresas, depois dos gestores, são os principais agentes de mudança e se eles (gerentes) não estiverem pré-dispostos a quebrar paradigmas internos e externos em prol da potencialização de sua equipe não será bem sucedido.

Como podem perceber, gerenciar uma empresa é muito mais do que eleger uma pessoa de confiança para o cargo, requer por parte do gerente preparação, disposição para inovar, inteligência emocional e acima de tudo prazer no que faz e em querer estar com pessoas. Sem isso você gestor, terá apenas mais uma pessoa dentro da empresa para fazer número. Pense nisso!

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A empresa é minha e pronto!

a empresa é minha

Quando eu era criança era muito comum, na hora do futebol, o dono da bola ter algumas regalias como escolher os melhores jogadores, o melhor lado do campo, etc. Se ele fosse contrariado decidia a situação de forma mais simples como também mais radicalmente possível, ele colocava sua bola embaixo do braço e terminava com a alegria de todos. Além de terminar a brincadeira, naquele ato literalmente infantil acabava a oportunidade de tentar novas experiências como formar um time novo, pois ele (o dono da bola) somente queria jogar com os mesmos “jogadores” e com isso deixar para trás supostos talentos. Era um tanto quanto constrangedor.

Muitas vezes alguns gestores agem como estas crianças que são as donas da bola, eles perdem grandes oportunidades de prestar atenção e promover sua equipe por achar que somente eles têm o direito de ser felizes, colocando justificativas de que todos já recebem um “bom salário” e achar que já é o suficiente.

O que os gestores não sabem, não querem saber ou até mesmo sabem, mas ignoram é que apenas “bom salário” não deixa ninguém feliz e muito menos realizado. Gestores de verdade são líderes e não podem de jeito algum querer lidar com seus liderados acreditando que pode tocar seus corações pelo bolso, fazer isto é tão infantil quanto a atitude do dono da bola relatado no inicio do artigo.

Pessoas precisam ser tratadas como pessoas, todos os dias talentos pedem demissão por serem mal utilizados. Há gestores que se importam mais com números, equipamentos e outras coisas do que com os seres humanos que possuem em seuas empresas. Resumindo em uma frase, há gestores que estão “personificando” as coisas e “coisificando” as pessoas. Para minimizar “coisificação” das pessoas, abaixo há algumas perguntas para reflexão:

1. Você tem o hábito de conversar com seus funcionários? Os funcionários se sentem mais felizes e satisfeitos quando o gestor demonstra interesse pela vida deles, isso demonstra que você se interessa não só pelos resultados que eles trazem dentro da empresa.

2. Você mantém as pessoas certas nos lugares certos? Muitas vezes alguns funcionários se desestimulam por não gostarem de fazer o que fazem na empresa, porém se sujeitam a ficar naquela função por necessidade. O pior de tudo é que pode até haver um esforço, mas eles renderiam mais e melhor se estivessem onde gostam.

3. Você valoriza o potencial dos seus funcionários? É muito comum ouvir de gestores que não querem que seus funcionários sejam eficazes no que fazem, por acharem que os mesmos vão querer mandar mais que o dono no futuro. Pessoas que são tolhidas a dar seu melhor tendem a sair das empresas.

4. Você sabe tratar dos assuntos com assertividade? O que mais agride as pessoas não é o que falamos para elas e sim como falamos. O verdadeiro gestor sabe falar com assertividade, ou seja, a verdade com carinho e respeito.

5. Você usa de autoridade ou autoritarismo para liderar? O seu estilo de liderança está mais para Hitler ou para Gandhi? Ninguém gosta de ser tratado no chicote. Outro dia um empresário me relatou que as coisas na empresa dele só são tratadas aos gritos, à punição. O mais interessante é que ele acha que é a única maneira de manter a ordem dentro da empresa. O resultado disso foi a perda de vários talentos.

6. Você costuma aplicar feedback? De que maneira? O feedback ideal é aplicado com carinho, também com assertividade, com o intuito de agregar. Gestor que aplica feedback somente para apontar erros e pontos fracos não mantém a equipe por muito tempo.

Hoje em dia ouço muito por parte dos gestores de que não há mão de obra qualificada e muitas vezes uma falta de disposição por parte dos mesmos em capacitar e reter seus talentos. O funcionário durante o dia passa mais tempo na empresa do que em sua própria casa, então seu emprego não é seu segundo lar e sim o primeiro. E já que é o primeiro, precisa encontrar um ambiente digno para que possa exercer sua função da melhor maneira possível. Pense nisso!

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